O Exercício da
Re-Conexão

 

 

 

 

 

 

 

Traduzido do Site de Joanna Macy - www.joannamacy.net

Práticas de grupo para a Grande Virada


Como nos preparamos para participar da Grande Virada? Livros, palestras e debates por si sós não são suficientes. Também devemos aprender a ver de novas maneiras, e vivenciar por nós mesmos os poderes que são essenciais para a cura de nosso planeta.

O Exercício da Re-Conexão é uma forma pioneira de trabalho em grupo que vem desabrochando nos últimos 24 anos. Demonstra nossa inter-conexão dentro da teia da vida, e nossa autoridade para agir em seu nome. Tem ajudado muitos milhares de pessoas por todo o globo a encontrarem discernimento, solidariedade, e coragem para agir, apesar das condições que deterioram-se rapidamente. Fundamentada na Teoria dos Sistemas, em ensinamentos espirituais, e na ecologia profunda, seus métodos são descritos em Nossa Vida Como Gaia, o livro que escrevi com Molly Young Brown.
_____________________________________

· Meus Mestres

· A História do Trabalho

· Os Objetivos do Trabalho

· Fundamentos Teóricos

· Um Guia para o Trabalho

· Oportunidades de Treinamento

· Rede de Facilitadores (a ser anexada)

Meus Mestres

A História do Trabalho

Este trabalho em grupo nasceu na América do Norte no final dos anos 70, quando uniu muitos ativistas da luta anti-nuclear e ambiental, assim como psicólogos, artistas, e praticantes espirituais. Workshops, cuja duração variava de um dia a uma semana, em igrejas, salas de aula e até alojamentos militares, reuniram milhares de pessoas de dentro e fora dos movimentos pela paz, justiça, e segurança ambiental. Devido ao meu artigo de 1979 "How to Deal with Despair" (Como lidar com o Desespero), e meu livro de 1983, Despair and Personal Power in the Nuclear Age (Desespero e Poder Pessoal na Era Nuclear), eles ficaram conhecidos como Despair and Empowerment work (trabalhando com o Desespero e o Fortalecimento do Poder Pessoal).

Em meados de 1980, começamos a chamá-lo de trabalho em Ecologia Profunda, graças à consonância e à inspiração que encontramos na profunda perspectiva ecológica. Nessa época, o trabalho se espalhou para a Europa, Austrália, Sul da Ásia, Japão e União Soviética. Em 1988, Thinking Like a Mountain: toward a Council of All Beings (Pensando como um Montanha: rumo a um Conselho de Todos os Seres), que co-escreví com John Seed, Pat Fleming e Arne Naess, foi publicado, refletindo novas formas do trabalho; e os workshops subseqüentes freqüentemente tomavam a forma do Conselho de Todos os Seres.

Nossa Vida Como Gaia – Práticas para Reconectar Nossas Vidas e Nosso Mundo
, que co-escreví com Molly Young Brown, apareceu dez anos mais tarde para oferecer uma descrição atualizada da teoria por trás do trabalho, e cerca de sessenta exercícios, novos e antigos. Aqui, o trabalho em grupo, refletindo o alcance de suas aplicações, é chamado simplesmente de "O Exercício da Re-Conexão".

Volta

Os Objetivos do Trabalho

O propósito central do "Exercício da Re-Conexão" é ajudar as pessoas a descobrirem e vivenciarem suas conexões uns com os outros, e com os poderes sistêmicos e auto-curadores da teia da vida, para que possam estar rejuvenecidos e motivados a assumir sua parte na co-criação de uma civilização sustentável. Para isso, buscamos também alcançar os seguintes objetivos complementares:

· Oferecer às pessoas a oportunidade de vivenciar e compartilhar com outros, suas reações mais íntimas à presente condição de nosso mundo
· Repensar sua dor pelo planeta como evidência de sua inter-conexão com a teia da vida, e portanto, de sua capacidade de participar na sua cura
· Oferecer às pessoas novos conceitos - com base na ciência dos sistemas, ecologia profunda, ou tradições espirituais - que iluminam esta capacidade, assim como exercícios que revelam suas aplicações nas nossas vidas
· Fornecer métodos através dos quais as pessoas possam vivenciar sua inter-dependência, sua responsabilidade e a inspiração que podem receber das gerações passadas e futuras, e de outras formas de vida.
· Preparar as pessas para abraçarem a Grande Transição como um desafio que estão totalmente capacitadas a encarar, de muitas maneiras, e como um privilégio que podem saborear
· Motivar as pessoas a apoiarem-se e colaborarem mutuamente no trabalho pelo planeta.

Volta

Fundamentos Teóricos

Estas premissas são a base do Exercício da Re-Conexão:

1. Este mundo, no qual nascemos e recebemos o nosso Ser, está vivo.
Ele não é nossa dispensa ou nosso esgoto; é nosso corpo maior. A inteligência que nos trouxe da poeira de estrelas, e que nos inter-conecta com todos os seres, é suficiente para curar nossa comunidade terrena, se fizermos nada mais do que nos alinharmos com este propósito.

2. Nossa verdadeira natureza é muito mais antiga e abrangente do que nosso ser isolado, definido pelo hábito e pela sociedade.
Somos tão intrínsecos à vida do nosso mundo como os rios e árvores, tecidos dos mesmos intricados fluxos de matéria/energia e mente. Tendo evoluído em consciência auto-reflexiva, o mundo pode agora conhecer-se através de nós, carregar sua própria majestade, contar suas próprias estórias - e também responder ao seu próprio sofrimento.

3. Nossa experiência de dor por este mundo vem de nossa inter-conexão com todos os seres, que é de onde vem também nosso poder de agir em seu nome.
Quando negamos ou reprimimos nossa dor pelo mundo, ou a tratamos como uma patologia particular, nosso poder de tomar parte na cura do nosso mundo diminui. Esta apatéia não precisa tornar-se terminal. Nossa capacidade de responder ao nosso próprio sofrimento, e ao do outro - ou seja, os círculos de respostas que nos tecem dentro da vida - podem ser desbloqueados.

4. O desbloqueio ocorre quando nossa dor pelo mundo não é validada apenas intelectualmente, mas é vivida.
A informação cognitiva sobre a crise que enfrentamos, ou mesmo sobre nossas respostas psicológicas a ela, é insuficiente. Só podemos nos libertar do medo da nossa dor - incluindo o medo de ficarmos permanentemente em estado de desespero ou abatidos pela dor - quando nos permitimos vivenciar estes sentimentos. Só assim poderemos descobrir sua fluidez, seu caráter dinâmico. E só então eles poderão nos revelar, num nível visceral, nosso mútuo "pertencer" à teia da vida.

5. Quando nos reconectamos com a vida, conscientemente sustentando nossa dor por ela, a mente recupera sua clareza natural.
Não só experimentamos nossa inter-conexão com a comunidade terrena, mas também surge em nós a vontade de combinar esta experiência com um novo paradigma. Conceitos que proporcionam foco a essas relações tornam-se vívidos. Aprendizados significativos acontecem, pois o sistema individual está reorganizando-se e reorientando-se, fundamentando-se em esferas mais amplas de identidade e auto-interesse.

6. A experiência da re-conexão com a comunidade terrena gera desejos de agir em seu benefício.
A medida que as forças auto-curadoras da Terra se apoderam de nós, nos sentimos chamados a participar da Grande Transição. Para que estas forças auto-curadoras possam operar efetivamente, é preciso que se confie nelas, e que se aja sobre elas. Os passos que tomamos podem ser modestos projetos, mas devem envolver algum risco para o nosso conforto mental, se não queremos permanecer prisioneiros dos velhos e "seguros" limites. A coragem é uma grande mestra, e portadora de alegria.

Volta

Um Guia para o Trabalho (Coming Back to Life)

Coming Back to Life (Voltando a Viver) (NSP 1998) oferece tanto a teoria como métodos, passo-a-passo, do Exercício da Re-Conexão. Aqui está uma visão geral.

Capítulo 1. Escolher a Vida

Esta é a meta do Exercício da Re-Conexão: ajudar-nos a participar dessa era de transição de uma sociedade que visa o crescimento industrial para uma civilização que valoriza a sustentação da vida. Esta Grande Transição está acontecendo agora em muitas frentes. Suas três dimensões principais - (1) agindo para salvar vidas e espécies; (2) estruturas alternativas por um futuro onde a vida seja possível; e (3) uma transformação em consciência cognitiva, perceptiva e espiritual - são todas essenciais e mutuamente reforçadas.

Capítulo 2. O Maior Perigo: A Apateia, a Morte da Mente e do Coração

Devido ao crescente sofrimento de nossos tempos, assim como os perigos que confrontamos, a dor emerge, assim como o medo e a raiva. "Sentir dor pelo nosso mundo" é uma resposta normal e saudável; mas fatores culturais, políticos e psicológicos nos levam a reprimir esta dor - a um custo altíssimo. É desta repressão mortificante que o Exercício da Re-Conexão nos liberta.

Capítulo 3. O Milagre Básico: Nossa Verdadeira Natureza e Poder

Tremendos recursos estão ao nosso alcance para guiar-nos e para alimentar nossas ações em nome da vida. Estes presentes do nosso tempo incluem os avanços representados pela teoria dos sistemas vivos e a ecologia profunda, assim como o resurgimento da espiritualidade não dualística. Cada um, a sua maneira, nos ajuda a chegarmos a uma nova compreensão de nosso poder para participar na auto-cura do nosso planeta. Estes são os fundamentos do Exercício da Re-Conexão.

Capítulo 4. O Exercício da Re-Conexão

Os objetivos e premissas deste trabalho em grupo estão apresentados aqui de forma clara e direta, que são evocados de forma mítica na profecia de Shambala.

Capítulo 5. Guiando o Trabalho em Grupo

O trabalho é melhor desenvolvido em grupos, onde as pessoas podem apoiar-se, inspirar-se, e aprender umas das outras. As chaves para uma facilitação de grupo eficiente são oferecidas. A orientação engloba desde a formação da intenção até como lidar com emoções fortes, e as fases e detalhes para preparar um workshop sustentando sua coerência e fluxo.


Capítulo 6. Afirmação: Partindo da Gratidão

Este é o primeiro capítulo do trabalho em grupo. Porque a gratidão é essencial logo no princípio, assim como deve estar implícita durante todo o trabalho? Discutimos seu papel primário, e oferecemos formas simples e breves de trazê-la a tona.

Capítulo 7. O Trabalho do Dor: Reconhecendo e Honrando a Nossa Dor pelo Mundo

Este segundo e crucial estágio é também o mais politicamente subversivo; aqui os membros do grupo experimentam, expressam, e exploram o que a cultura prevalescente nega: nossas íntimas respostas ao sofrimento do nosso mundo. Métodos para o trabalho da dor incluem exercícios que vão desde simples frases a serem completadas até formas ritualistas, como a Mandala da Verdade, que são estruturados para permitir e conter a expressão de emoções intensas.

Capítulo 8. A Transição: Vendo com Novos Olhos

O terceiro estágio do trabalho, também descrito nos capítulos 9 e 10, traz à tona nossa radical inter-conexão, a fonte de nossa capacidade de sofrer com o nosso mundo. Aqui, uma nova visão paradigmática tem papel importante; portanto sugestões para apresentar ao grupo o "alimento para o cérebro" são oferecidas, além de exercícios leves como o Jogo dos Sistemas e outros mais meditativos como os Círculos em Expansão.

Capítulo 9: Tempo Profundo: Reconectando com as Gerações Passadas e Futuras

Nossa inter-conexão com a teia da vida ultrapassa as fronteiras de tempo e espaço. O trabalho do Tempo Profundo ajuda a livrarmo-nos da experiência de tempo frenética e atomizadora da nossa cultura, e a recuperar uma relação forte e consciênte com aqueles que vieram antes de nós e os que virão depois. Os métodos envolvem desde escrever cartas a processos mais complexos, como Colhendo os Presentes dos Antepassados, e o Círculo Duplo com a sétima geração.

Capítulo 10. O Conselho de Todos os Seres: Reunindo-nos ao Mundo Natural

É também nosso direito inato celebrarmos uma relação de proximidade com as outras espécies. A ecologia profunda há muito inspira o Exercício da Re-Conexão, e aqui oferecemos métodos especialmente desenhados para levar-nos além do antropocentrismo de nossa cultura, e dramatizarmos nosso total emaranhamento na teia da vida. Incluem favoritos como o Conselho de Todos os Seres e a Memória Evolutiva.

Capítulo 11. Ir em Frente

Neste estágio culminante do trabalho, os participantes do grupo preparam-se para tomar os insights e a motivação que receberam, e aplicá-los em suas vidas cotidianas e suas comunidades. São auxiliados a esclarecer seus projetos pessoais e os papeis que se sentem chamados a assumir na Grande Transição, além das formas como podem continuar a apoiar-se mutuamente após a vivência.

Capítulo 12. Meditações para Voltar a Viver

Uma vivência, ou mesmo várias, são insuficientes para manter-nos ancorados no sentido mais amplo da identificação com a Terra e todos os seres com os quais nele convivemos. Desde o nascimento, fomos condicionados por pré-suposições que permeiam a Sociedade do Crescimento Industrial. Para nos de-condicionarmos, necessitamos de práticas contínuas - e estas estão disponíveis a nós agora nas muitas tradições espirituais não-dualísticas ressurgindo em nossos tempos. Sete, especialmente valorizadas no trabalho, são oferecidas aqui em sua totalidade. Desde a Teia da Vida à Meditação de Gaia, e o Grande Baile do Mérito, são aplicáveis como práticas a ser compartilhadas em quase qualquer estágio da vivência.

Volta

Oportunidade de Treinamento

Joanna oferece treinamentos extensivos àqueles que já vivenciaram uma introdução ao Exercício da Re-Conexão uma vivência de fim de semana ou um curso (ver a agenda de ensinamentos públicos de Joanna). Estes "intensivos" de 12 dias oferecem teoria e prática em sofrimento e fortalecimento, ecologia profunda, e o trabalho do tempo profundo. Cada intensivo é diferenciado em seu caráter e nas descobertas que fazemos, enquanto aderindo aos seguintes objetivos:

1. Ampliar nossa visão e capacidade para a parte que cada um tem a cumprir na transição de uma sociedade que visa o crescimento industrial para uma civilização que visa a sustentabilidade da vida.
2. Compreender cognitivamente, e integrar psicológica e espiritualmente as premissas que guiam o Exercício da Re-Conexão.
3. Contruir conexões fortes e duradoras com irmãs e irmãos que lutam pela vida na Terra, e descobrir a coragem e a criatividade que a confiança mútua nos traz.
4. Renovar nossas vidas e trabalho, assessando nossos talentos, e esclarecendo o papel que queremos ter na cura do nosso mundo.

Um intensivo oferece ferramentas conceituais e processos que podem ser aplicados na educação, trabalho terapêutico, e mobilizacões. Não é tanto um treinamento em facilitação de trabalhos em grupo, mas uma imersão nas novas compreensões que ele gera.

Se você está interessado num workshop ou cursos de Joanna, e está interessado em mais informações sobre um intensivo, por favor, contacte info@joannamacy.net.

Topo


AO VISITANTE | SOBRE AMÁLIA | CURRICULUM | CONTATOS | HOME | VIVÊNCIAS